Segunda-feira, 4 de Junho de 2012

Preparar 2012/2013 - Médios esquerdos

Dois jogadores, competitividade pela titularidade, sem problemas de maior. Era assim que deveria ser em cada posição do plantel do Benfica.

Nico Gaitán - a segunda época no Benfica não confirmou a explosão de talento que muitos adivinhavam na pré-época. Continua a jogar o mesmo futebol que trouxe da Argentina, não se tendo adaptado a muitas das exigências do estilo de jogo europeu. Continua a parar muito o jogo, incapaz de ziguezaguear entre os adversários, de chegar à linha final e tirar um cruzamento, de ajudar a defender sobretudo nas transições, enfim, um sem-número de situações que já deveriam ser elementares para um jogador de 24 anos no segundo ano de futebol europeu. Tem talento? Sim. Quer pô-lo em prática? Parece que não. Nico Gaitán mostra uma indolência e preguiça que me tiram do sério. Surpreendo-me ao ver que Alex Ferguson o quer levar para Manchester. Ofereço-me para fazer o lacinho.

Nolito - Uma boa surpresa. O andaluz contratado ao Barcelona a custo zero revelou-se uma das melhores aquisições da temporada pelo Benfica. Entrou muito bem na época, ganhando a titularidade face à lesão de Pérez e às dificuldades de adaptação de Bruno César, cimentando o seu lugar com boas exibições, assistências e muitos golos. Mostrou que gosta de cortar da faixa para o centro, como Simão tão bem fazia, rematando para o poste mais distante, naquela que é a sua jogada de marca. No entanto, foi perdendo espaço a meio da época, numa decisão algo polémica da parte de Jesus, que se mostrava particularmente interventivo com o espanhol durante os jogos. Face ao subrendimento de outras unidades, Nolito voltou a merecer a confiança do treinador e respondeu da melhor maneira, com golos. Espera-se que para o ano volte com a mesma genica e determinação demonstradas em 2011/2012.

Sábado, 2 de Junho de 2012

Preparar 2012/2013 - Médios direitos (contratações)

Enzo Pérez - A atitude que teve para com o clube foi de uma enorme falta de profissionalismo, mas há uma boa forma de se redimir: mostrando a sua qualidade. Enzo Pérez é um bom jogador, já com idade para e afirmar na Europa e que, estou convencido, se lhe derem oportunidades (e se ele as aproveitar, já agora), triunfará na Luz. É um jogador tecnicamente forte, extremamente inteligente e que privilegia o colectivo em vez da vertente individual. É um jogador muito interessante que acrescenta profundidade ao flanco e que baixa bem para defender. Que regresse com a cabeça limpa e será uma enorme ajuda.

Urreta - Começou a pré-época em grande forma, mas foi incompreensivelmente colocado de parte. Estava a demonstrar bons pormenores, uma evolução claríssima, velocidade, acutilância, tudo, mas não serviu aos olhos do mister Jesus. É um jogador que tem qualidade para pertencer ao plantel, a menos que haja alguma contratação que faça com que seja forçosamente "empurrado" para um empréstimo.

Salvio - o preferido de todos. Salvio deixou muitas saudades na Luz pela sua entrega e pelo seu talento. Não sendo um fantasista, um clássico mago da bola vindo da Argentina, é um extremo com muita acutilância e objectividade, conferindo profundidade e garra ao flanco, sendo igualmente garantia de golos. Traz-nos boas memórias, golos importantes, muita determinação e vontade, um exemplo de atitude e qualidade. Só recentemente fez 22 anos e quererá, certamente, mais minutos de jogo que aqueles a que teve direito esta época no Atlético. O Benfica deveria estar de braços abertos para recebê-lo.

André Martins - não é médio-direito, mas poderia desempenhar, num estilo completamente diferente, o papel de Witsel no meio-campo. André Martins faz-me lembrar João Moutinho no início de carreira. Parece um médio inconsequente, frágil, sem grandes características, mas lê o jogo como poucos. Sabe ter a bola, palmilha o relvado como um veterano, consegue liderar o sector central de uma equipa. É um grande jogador. E vai ser ainda melhor daqui a uns anos. Pertence ao Sporting? Tudo bem, paguem. Vai valer muito, mas mesmo muito mais daqui a um par de anos.

Preparar 2012/2013 - Médios direitos

O Benfica terminou a época com apenas um médio direito (que nem médio direito é), Bruno César. Contratado para ser o "substituto" de Pablo Aimar, o jogador que no Brasil representou o Corinthians acabou por ser encostado à direita por falta de opções para o local. Urreta não foi aproveitado, Enzo Pérez foi de férias para a terra dele após birra incompreensível e assim Zanaki ficou com a vaga, livre de concorrência.

Bruno César - demorou até convencer, mas conseguiu impôr-se e foi, a meu ver, um dos melhores jogadores esta época. Chegou semi-incógnito e com barriguinha, o suficiente para ser chumbado aos olhos dos adeptos ainda antes de tocar na bola. Mas assim que começou a jogar e a marcar, convenceu. Tecnicamente forte, muito bom a executar, e a aparecer nos momentos decisivos, Bruno César subiu a pulso, ganhou o lugar e foi conquistando a opinião mesmo dos adeptos mais cépticos. Alia aos atributos técnicos a velocidade e ainda a capacidade de luta, nunca dando um lance por perdido. Surpreendeu-me pela positiva.

Quarta-feira, 30 de Maio de 2012

Para quando o lateral esquerdo?

As movimentações do Benfica no mercado, têm sido até ao momento para a frente de ataque. Primeiro Hugo Vieira, depois Ola John. Para quando o ataque a uma das principais lacunas do plantel, no caso a lateral esquerda? Bem sei que ainda existe muito tempo para tal, mas se repararmos ao que aconteceu na temporada passada, é normal que subsistam algumas dúvidas. Emerson demonstrou que não pode ser opção para um Benfica que se quer competitivo e Cap está caminhando para o terminar da carreira, pelo que urge tratar deste assunto o quanto antes.

Potenciais alvos

Rojo, Guilherme Siqueira, Ansaldi. São os nomes mais apontados ultimamente. Tenho a dizer que gosto particularmente de Ansaldi, já o pedia aliás na época transacta. Sendo que o argentino tem a facilidade de actuar sob as duas faixas da defesa, sim, porque a alternativa a Maxi não existe. Outro défice que convinha colmatar, penso aliás que o Benfica tem dentro do plantel a solução (Daniel Wass), mas ao que parece não entra nas contas de Jorge Jesus.

Diz-se normalmente no mundo do futebol que as boas equipas constroem-se de trás para a frente, mas o Benfica está fazendo justamente o inverso. Acredito que quem de direito está consciente da necessidade evidente de um lateral zurdo, mas não posso deixar de manifestar preocupação quando vejo outro tipo de contratações para lugares onde estamos bem servidos. Fica a questão, e sem abordar a qualidade do jogador, para quê Hugo Vieira, com Cardozo, Rodrigo, Nélson Oliveira, Saviola, Mora, Jara, Melgarejo e Yannick?

Terça-feira, 29 de Maio de 2012

Rui Gomes da Silva e Leonor Pinhão

Os blogs Novo Geração Benfica e Ontem vi-te no Estádio da Luz levaram a cabo duas entrevistas inéditas na blogosfera, a Rui Gomes da Silva e Leonor Pinhão, respectivamente. É de saudar o trabalho levado a cabo pelos bloggers em questão e a disponibilidade (ou interesse...) dos entrevistados em responderem às perguntas efectuadas. Duas entrevistas muito diferentes na forma e no conteúdo, como não poderia deixar de ser, até pelos entrevistados.

Começando pela entrevista no Geração Benfica, diga-se que a estrutura da mesma está muito bem conseguida, questionando RGS nos pontos mais importantes, havendo uma linha de raciocínio que é facilmente seguida. Ainda assim, faltaram algumas questões importantes. Por exemplo, o que diria o Rui Gomes da Silva de 2000, forte contestatário de um Benfica amorfo e sem campeonatos ao Rui Gomes da Silva de 2012, que apoia o presidente que matou a democracia no Benfica e que não trouxe grandes novidades em termos de campeonatos? Ou se é verdade que se reuniu com outras figuras benfiquistas em 2009 para buscar uma alternativa face a Vieira, que era visto como alguém que estava a mais no clube? Não foi perguntado, mas talvez surjam, brevemente, revelações interessantes no mesmo blog. Globalmente, reforço, foi uma entrevista bem conseguida em que foram abordados os principais temas da actualidade do clube. Pena que o entrevistado não tenha estado à altura. Ou por outra, se quisesse, talvez até poderia ter estado, mas não quis. E RGS foi aquilo que aprendeu a ser ao longo da vida: um político. Respostas politicamente correctas, finatando as questões como Pablo Aimar finta adversários no campo, evadindo-se da marcação adversária como Rodrigo. Se estava a responder na condição de sócio e não na de vice-presidente (como se fosse possível dissociar a pessoa do cargo, acredite quem quiser), não parecia. Mas compreendo a motivação da entrevista: [tentar] limpar a imagem junto da blogosfera que não raras vezes vilipendiou no programa O Dia Seguinte. Lembra-se de dizer que havia blogs com uma candidatura por trás? Não foi há décadas, anos ou meses. Foi há poucas semanas. E se calhar, quem sabe, até foi sobre o Novo Geração Benfica, blog que aproveitou para "polir" na passada segunda-feira à noite no supramencionado programa da SIC Notícias. Pegando numa frase muitas vezes dita pelo nosso presidente, caro Rui, "as pessoas precisam de ter memória". E eu não esqueço. Para ler, aqui e aqui.

Já no Ontem vi-te no Estádio da Luz, o Ricardo foi o Ricardo e a Leonor Pinhão foi a Leonor Pinhão. Perguntas incómodas, "rasgadinhas", respostas à letra, umas vezes sinceras, outras em que preferiu esconder o jogo. Mostrou que acredita em Vieira mas que não segue cegamente tudo o que o presidente faz, como se pode ler nas respostas dadas quanto à renovação dos direitos televisivos ou quanto ao apoio a Fernando Gomes. A não perder, aqui.

P.S. O próximo blog que quiser entrevistar Luís Filipe Vieira, que envie as perguntas directamente para João Gabriel, poupa trabalho a todos.

Preparar 2012/2013 - Médios defensivos (contratações)

Como disse no post anterior, Javi e Witsel deveriam ficar no plantel benfiquista para a próxima época. Provavelmente como titulares. Mas precisam de concorrência, de alguém que possa suprir as suas ausências e que ofereça outras soluções em termos de jogo.

Airton - o médio defensivo contratado no mercado de inverno de 2010 chegou, viu e impôs-se rapidamente na Luz. Foi titular em quatro ocasiões, jogando ainda mais duas partidas, deixando boas indicações em todos os jogos. Forte, com bom toque de bola, é um trinco clássico que joga no choque, extremamente agressivo, algo diferente do que é comum nos trincos brasileiros. Mostrou ser uma alternativa válida a Javi Garcia em 2009/2010, mas foi estranhamente esquecido por Jesus (quando até tinha estado em evidência na pré-época) em 2010/2011, que lhe deu poucos minutos face ao que Javi e a equipa precisavam. Por mim, integraria o plantel como concorrente directo do trinco espanhol.

Carlos Martins - é nosso, é português e tem qualidade. Não como médio defensivo clássico, claro, mas mais como médio de transição. Um "8", como se diz hoje em dia. Seria a alternativa a Witsel, até porque o belga não é um médio defensivo puro. Carlos Martins traria soluções de jogo que Witsel não tem ou que, pelo menos, não procura: transições mais rápidas, passes longos, remates de meia distância. Carlos Martins não é um "6" e não o gosto de ver jogar sobre a faixa nem como "10". Preferia vê-lo num esquema em que tivesse outro jogador a seu lado no centro do terreno. Seria a alternativa ideal a Witsel.

Manuel Fernandes - entramos agora no lote dos jogadores que queria ver no Benfica caso Javi ou Witsel saíssem. Atletas com qualidade para serem titulares mas que seriam demasiado caros para ter como suplentes. Manuel Fernandes é um desses casos. Fisicamente evoluiu muito em Inglaterra e em Espanha, está um autêntico "bicho", fortíssimo, e um atleta magnífico a segurar bola e a temporizar o ataque. Oferece várias soluções de jogo, incluindo o remate de meia distância, sendo português e formado no clube. Infelizmente teve aqueles episódios de indisciplina que todos recordamos, mas acho que, passados estes anos, amadureceu e apercebeu-se de que sair do Benfica foi um erro, visto que na sua carreira não voltou a pisar um palco que estivesse à altura do talento que lhe era apontado.

Miguel Veloso - podem não gostar dele por ter jogado no Sporting, por usar penteados esquisitos ou por gostar de aparecer em revistas, mas Miguel Veloso é um bom jogador, que até conta com a admiração do nosso director desportivo fantasma. Versátil, bom pé esquerdo, poderia ser o "6" ou o "8" da equipa, tendo desempenhado ambas as funções tanto no Sporting como na Selecção. Tecnicamente é provavelmente dos melhores médios centro que passaram pelo campeonato português nos últimos anos, fisicamente não é um armário mas compensa com bom sentido posicional. Acho-o um jogador muito interessante e que seria um acréscimo de qualidade ao nosso plantel caso Javi ou Witsel saíssem.

Paulo Machado - Menos mediático que os colegas de posição, mas também ele um jovem valor do futebol nacional. Emigrou cedo, aos 22 anos, para um campeonato extremamente competitivo, o francês, e tem-se destacado com boas exibições no Toulouse, que lhe valeram recentemente a chamada à selecção nacional. Terminou a quarta época em terras gaulesas e continua a falar-se do hipotético interesse do Benfica no atleta, que nunca negou ou escondeu a vontade em jogar num clube grande português.

Domingo, 27 de Maio de 2012

Preparar 2012/2013 - Médios defensivos

Começámos com quatro, acabámos com três. O Benfica perdeu pelo caminho Rúben Amorim para o Braga, numa das decisões mais polémicas do mercado de Janeiro dos últimos anos. No centro do terreno, em termos de tarefas mais defensivas, não nos podemos queixar da falta de qualidade dos jogadores, mas a ausência de profundidade pode ter comprometido algumas conquistas. Analisemos então quem terminou a época connosco.

Javi Garcia - o médio espanhol parece ter lugar cativo e percebe-se porquê. Fisicamente possante, é o patrão do meio-campo encarnado, um jogador com mística à Benfica. No entanto, esta não foi uma época fácil para o internacional espanhol. Em alguns jogos sentiu dificuldades em segurar as investidas dos adversários, mas mais por culpa da ausência de apoio dos colegas, fruto do esquema desproporcionalmente ofensivo de Jesus, do que por má forma física, deficiente interpretação das jogadas ou incapacidade técnico-táctica. Merecia melhor sorte e melhor treinador para poder mostrar toda a sua valia.

Nemanja Matic - O médio que não é carne nem é peixe. Matic é um falso 6, um falso 8 e um falso 10. O que é Matic? Ninguém sabe ao certo. Tem o físico e a força de um trinco puro clássico, mas os seus pés são muito mais semelhantes aos de um 8. Não é particularmente rápido, não é especialmente inteligente e abusa do físico em termos defensivos, provocando inúmeras faltas desnecessárias. Não gosto de Matic. Acho que seria irresponsável confiar-lhe a titularidade e esperar resultados positivos. Poderá estar preparado para assumir a titularidade do Benfica num futuro próximo? Talvez. Mas para isso precisa de rodar. A meu ver, não tem lugar no plantel até porque temos um jogador melhor que Matic a cumprir empréstimo.

Axel Witsel - O craque. A par de Aimar, é o melhor jogador do plantel. É a prova de que no futebol moderno, a velocidade está muito longe de ser tudo. Sabe defender, sabe posicionar-se, sabe ter a bola no pé, é bom no jogo aéreo, joga e faz jogar. Não há muito a dizer sobre Witsel. Seria uma enorme perda caso fosse vendido. Vamos esperar que tal não aconteça.

Preparar 2012/2013 - Defesas centrais (contratações)

Já aqui disse que o Benfica não precisa de ir ao mercado contratar defesas centrais. Os quatro que tem no plantel chegam e sobram, sendo garantia de qualidade. No entanto, se sair alguém, é preciso arranjar um substituto à altura. Olhemos então para alguns defesas centrais que poderiam constituir opções válidas para o Benfica.

Dedé - volta o mercado de transferências e o nome de Dedé vem à baila. As boas relações que o Benfica mantém com o Vasco da Gama poderiam ser um factor facilitador para a concretização desta transferência. Fisicamente impressiona, sendo um jogador na linha de Luisão, mas mais largo. Tecnicamente evoluído, bom no desarme, vai fazer brevemente 24 anos e deverá querer sair do Brasileirão para dar o salto para a Europa.

Sebastián Coates - Tal como Lugano, Coates tem a marca dos centrais uruguaios: a dureza. É extremamente alto (1,96m), viril e um líder por natureza. Foi presença assídua nas selecções jovens tendo participado no Mundial sub-20 em 2009, alcançando a selecção principal em 2011, ao serviço da qual ganhou a Copa América, prova na qual obteve a estreia internacional, assumiu a titularidade e venceu o prémio de jogador revelação. Contratado pelo Liverpool no início da época 2011/2012, fez apenas 9 jogos pelos reds e poderá não constituir opção para o novo treinador do maior clube da cidade dos Beatles. Se assim for, é de aproveitar.

Ron Vlaar - a primeira vez que o vi jogar foi nas meias-finais da Taça UEFA, quando o Sporting derrotou o clube que o formou, o AZ Alkmaar. Logo aí, na estreia na alta roda do futebol europeu, com apenas 20 anos, pareceu um jogador interessante. Foi titular absoluto da sua selecção no mundial sub-20 realizado no final dessa época e conquistou o europeu sub-21 dois anos depois. No entanto, parece ter estagnado na sua carreira, não evoluindo como seria de esperar, muito por culpa das graves lesões que teve. Mas eis que após 5 épocas frustrantes, o Feyenoord, clube pelo qual assinara em 2006, com uma das melhores defesas da Liga, comandada por Vlaar, chega ao segundo lugar no campeonato holandês. As suas boas prestações valerem-lhe a convocatória para a selecção holandesa que vai participar no Euro 2012. Estará Vlaar de volta aos grandes palcos, livre de lesões em definitivo?

Federico Fazio - No verão de 2007, por infortúnio pessoal, não pude gozar as férias da maneira que queria. Fiquei agarrado à cama e à Eurosport. A parte menos má no meio disto tudo é que vi o Mundial sub-20 integralmente e testemunhei uma das melhores selecções jovens de sempre: a Argentina 2007. Futebol total num 4x4x2 que variava em 3x5x2, onde pontificavam, entre outros, Ínsua, Mercado, Banega, Piatti, Di Maria (suplente!), Aguero e Zarate. No centro da defesa, ao lado do capitão Cahais, jogava o gigante Fazio, um atleta fisicamente possante, forte no cabeceamento e no desarme, hoje no Sevilla. Com os andaluzes a ficarem de fora das provas europeias, seria interessante averiguar a possibilidade de trazer Fazio para a Luz.

Marc Bartra - é apontado como uma das grandes promessas do futebol espanhol para a próxima década. Marc Bartra é um jovem de 21 anos formado em La Masia, escola de talentos do Barcelona. Actua na equipa B dos catalães, mas tem sido, desde os seus 19 anos, chamado à equipa principal dos blaugrana para efectuar jogos para o campeonato e Champions League. Chamou-me a atenção pela sua presença no último mundial de sub-20, onde evidenciou uma enorme qualidade técnica em termos defensivos e capacidade de sair a jogar com bola.

Sidnei, por continuar a mostrar velhos vícios extra-futebolísticos, desta vez na Turquia, e Roderick, por continuar com pouca agressividade, não cabem no plantel do Benfica. Léo Kanu e restantes emprestados não têm qualidade.

Sexta-feira, 25 de Maio de 2012

Papas e bolos

Vieira falou e falou bem. Este é o tipo de discurso que gostaria de ver num presidente do Benfica perante a situação actual no futebol português. Mas a distância que separa as palavras dos actos é abissal. E o que motiva o discurso, bem como o momento em que é proferido, também merece um olhar atento.

Se este discurso tivesse chegado de um benfiquista indefectível, acima de qualquer suspeita, candidato às eleições pela primeira vez, eu aplaudiria. Mas já conheço o senhor Vieira há mais de dez anos. E nestes dez anos, com particular destaque para os últimos cinco, Vieira sempre me pareceu mais interessado na vida pessoal que na vida activa do clube, intervindo nesta pontualmente, aparecendo mais vezes nos bons que nos maus momentos, sendo que nestes últimos aparecia não raras vezes tarde demais.

Acerta no discurso, falha no timing. E porquê? Porque enquanto o Benfica era sistematicamente roubado na Liga 2011/2012, manteve-se calado. À espera do quê? Não sei bem ao certo. Os benfiquistas não se interrogam quanto a este ponto? E rejubilam porque agora, no fim de mais um campeonato perdido, surgiu o discurso que tenta afogar as mágoas do falhanço? Vieira é presidente há quase dez anos. É useiro e vezeiro nestas situações. Acreditam que é agora que as coisas vão mudar? Ou este é um discurso em forma de papas e bolos para preparar aquela coisa que vai acontecer em Outubro?

E se o Benfica não tivesse ganho o campeonato nacional de basquetebol? Remeter-se-ia ao silêncio tal como fez com o futebol? Apostava as fichas e acendia as velinhas pelo campeonato de hóquei? Mandava o João Gabriel falar ao jornal A Bola ou pedia ao Delgado para que deslocasse à Luz, a Angola ou ao Brasil para ler as perguntas feitas pelo próprio Vieira?

A minha pergunta aos benfiquistas é muito simples. Depois de Vieira ganhar as eleições, porque as vai ganhar, obviamente, o que vai acontecer ao discurso, atitude e, mais importante que tudo, ao número de títulos e sucesso desportivo do Sport Lisboa e Benfica? Vai continuar tudo na mesma, ou "desta vez é que é"? O que se segue a um mandato desportivo falhado? Palavras, leva-as o vento. Títulos, conseguem-se com competência. Em Vieira há palavras mas não há competência para os títulos que quero.

Finalmente

Boa resposta Sr. Presidente!!! Foi soberba a reacção aos acontecimentos tristes que se verificaram naquela estrumeira em Contumil, sob forma de comunicado divulgado no site do Benfica, por ocasião da conquista do 23º titulo de Campeão Nacional de Basket da nossa história.

Se me permite, apenas um reparo: pecou por defeito! Apenas faltou dizer explicitamente que seria retirado o apoio ao presidente da casa dos andrades em Lisboa, vulgo FPF. De resto, impecável!

Ultimamente, tenho sido critico da actuação desta Direcção, mas neste caso esteve fantástico.

Acima de tudo, o Benfica!

Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

Diga 23


O Benfica sagrou-se campeão nacional de Basquetebol pela 23ª vez. Pela terceira ocasião em quatro épocas, a secção de basquetebol está de parabéns, dando continuidade a esta série extremamente positiva de resultados na modalidade, algo que não víamos desde os anos 90, mais precisamente quando, em 1995, o Benfica venceu o último título de uma série de dez ganhos em onze disputados. De todos os títulos ganhos pelo nosso basket, este foi sem dúvida o mais sofrido e sofrível de todos. E é por isso que tem um sabor tão especial. Porque esta época foi tudo menos fácil.

A começar pelo plantel. Não era longo, bem pelo contrário, e as lesões não ajudaram. Muitos jogadores parados, alguns dos quais elementos chave como o grande Sérgio Ramos ou Ben Reed, que foi misteriosamente dispensado, fizeram falta. Doliboa a jogar fisicamente condicionado. Norris perto dos 40 anos. Minhava com poucos minutos, inexplicavelmente. Betinho também passou por uma lesão. Enfim, fisicamente, foi um ano complicado.

Lisboa também não é, nunca foi, aliás, um treinador consensual. Como jogador foi o melhor de sempre a actuar em Portugal e, provavelmente, o português que esteve mais perto da NBA, mas enquanto treinador nunca foi visto com bons olhos na Luz por bastantes adeptos. Os escassos resultados obtidos, com a terrível eliminação contra o Ginásio nas meias-finais dos playoff de 2006, na Luz, depois de estar a ganhar por 2-0 na série, era um dos fantasmas. Ser bom jogaor não significa que se venha a ser bom treinador ou bom dirigente. Michael Jordan que o diga.

E as expectativas não eram as mais elevadas. O Porto acabara de ser campeão nacional, tinha uma estrutura consolidada, roubara um ano antes João Santos ao Benfica e nós tínhamos todas as dificuldades acima descritas. Com o decorrer do campeonato, apesar dos problemas físicos, percebeu-se que o Benfica ia para a luta. Sem as mesmas armas, mas ia para a luta. Foi de vitórias importantes contra o Porto e alguns deslizes inesperados (Sampaense, Lusitânia, Ovarense) que se fez o percurso. Chegados aos playoffs, a equipa entrou nos quartos vencendo a Académica por 3-1, seguindo-se depois uma série complicada, iniciada com uma derrota surpreendente ante a Lusitânia, em casa, mas deu a volta e venceu os 3 jogos seguintes. Enquanto o Porto carregava baterias para a final, fruto da desistência do CAB Madeira, o Benfica disputava as meias, desgastando-se com viagens sobre o Atlântico. E todos conhecemos a história da final: equipa com qualidade semelhante à do Porto, treinador contestado (até pela acumulação com o cargo de director geral das modalidades) e problemas físicos. Eu não estava particularmente confiante, bem pelo contrário. Mas estes rapazes surpreenderam-me. Então depois do que vi no Dragão Caixa, ontem, fiquei sem palavras. Em terreno hostil, ambiente pouco acima do insuportável, arrancaram uma vitória, "a" vitória, a ferros. Foram Benfica.

Foi uma vitória à Benfica. Em condições extremamente difíceis, no terreno do inimigo, sem o apoio dos nossos adeptos, sem o favoritismo, apenas com a águia ao peito. E a partir do próximo ano, com o escudo de volta também. Parabéns a todos os que estiveram envolvidos na conquista deste campeonato, um dos mais saborosos que já testemunhei.

P.S. Espero ver o Porto ser exemplarmente punido pelos lamentáveis acontecimentos ocorridos no final do jogo. Desligar a luz e ligar a rega é tacanhez. Agredir, incendiar e impedir a consagração dos vencedores pela coacção física é crime. E que os criminosos sejam tratados como tal. O Benfica, pela sua Direcção, não pode deixar passar o caso em claro. Devem ir até às últimas consequências.P.S. Espero ver o Porto ser exemplarmente punido pelos lamentáveis acontecimentos ocorridos no final do jogo. Desligar a luz e ligar a rega é tacanhez. Agredir, incendiar e impedir a consagração dos vencedores pela coacção física é crime. E que os criminosos sejam tratados como tal. O Benfica, pela sua Direcção, não pode deixar passar o caso em claro. Devem ir até às últimas consequências.

Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

Campeões!!!!

Um orgulho!!!

Parabéns campeões!

Contra-contestação


"O acto em si, os graffities, não apoio. São vandalismo. Só há duas coisas que acho mal: o acordo ortográfico e vandalizar propriedade privada."

Foram as minhas palavras acerca dos graffities de contestação a Vieira. Espero que não haja flic-flacs por parte dos vários comentadores da blogosfera.

Já agora, Veiga foi sócio do Porto e do Benfica. Vale, do Benfica. Vieira é uma espécie de fusilli tricolore.

Manolo Vidal

Faleceu Manolo Vidal, figure ilustre do Sporting enquanto clube grande. Em Manolo Vidal habituei-me a ver um rival, não um inimigo. Um adversário honesto, não um bárbaro. Em meu nome, em nome do EB, e, acredito, em nome dos Benfiquistas e do Benfica, os nossos mais sinceros pêsames. Que descanse em paz.

Terça-feira, 22 de Maio de 2012

Quanto custa um Fialho?

O povo não gosta, naturalmente, quando se dizem verdades por meias palavras. Hoje, abrimos o jogo e falamos de um caso muito específico. Mas antes disso, uma nota que quero deixar pública: Veiga, enganaste-te no NIB ou estás com problemas de liquidez? Não tenho recebido os pagamentos para escrever mal do Vieira no blog. E o Bagão? Anda desaparecido? A última vez que o vi foi no jantar em casa do Tavares... bom, adiante.

É com interesse que tenho assistido a este espectáculo de transformismo proporcionado por Luís Fialho. Não é pecado nenhum gostar-se de Vieira e defender-se o querido líder, o sagaz negociador, o Kim Jong-Il do Bairro das Furnas, o que lhe quiserem chamar. Mas vender a opinião e abdicar de princípios morais (que se calhar nunca teve) em troca de um tachinho no jornal do clube, é de uma baixeza intelectual que me espanta e transcende. Criticar os Oliveiras, atribuindo-lhes inclusivamente um capítulo no propalado post Vinte Anos de Mentira de A a Z, para depois dizer que o pobre Joaquim é, afinal de contas, um mero e simples (quem sabe se será humilde e honesto) homem de negócios, é aquilo que medicamente se chama de diarreia mental. Hoje, em período pré-eleitoral, coloca novamente a espinha de parte e assume o papel camaleónico uma vez mais, tentando vender a ideia de que Vieira é um dos mais bem sucedidos presidentes da História do SL Benfica. Haja gente disponível a desmascarar as mentiras e os mentirosos. Quanto custa um Luís Fialho? Um lugarzinho no jornal O Benfica? Umas presenças nos camarotes dos pavilhões? (esta sabemos nós, estávamos lá e vimos). Uns quinhentinhos ao final do mês? Diz-nos lá, Fialho, conta-me como foi. No dia em que eu tiver de escrever um post sobre os Dez Anos de Vieira de A a Z, podes acreditar que o "F" estará reservado para ti.

P.S. Não se pense que todos os benfiquitas são assim. Alguns houve que, num passado recente, rejeitaram a hipótese de se venderem em troca de um posto no jornal ou na televisão do clube. Felizmente há luar.

Segunda-feira, 21 de Maio de 2012

Foi assim que aconteceu


Na época de 2011/2012, o Benfica viveu uma autêntica montanha russa de expectativas, emoções e resultados. Foi um ano inesquecível pelo pragmatismo evidenciado até certa altura, pelas loucuras do treinador, pela soberba do presidente e por mais uma época que terminou em desilusão. Foi assim que aconteceu:

O Benfica vinha de uma época completamente arrasadora. Não para os adversários mas para o próprio clube e seus adeptos. Frustrações atrás de frustrações, tentou-se racionalizar a perda de mais um campeonato e o falhanço inacreditável na Taça de Portugal e na Liga Europa. Exigiram-se explicações, ouviram-se os primeiros ruídos de contestação, mas nada foi explicado aos benfiquistas sobre mais uma época falhada. E eis que começa a silly season. Os rumores sobre transferências são muitos, sugerem-se atletas, pedem-se craques, clama-se pela resolução de um caso que há muito se arrastava e que se temia que pudesse acabar da pior forma para o Benfica. Analisam-se reforços e há ainda e sempre a tradicional entrevista insonsa de fim de época do presidente. Temos várias novelas de verão, mas há uma Gabriela que é sempre melhor que as outras, apesar de ter tido concorrência forte. E defeso não é defeso se não ocorrerem certas situações: o já tradicional arremesso de areia para os olhos dos sócios, Luisão a pedir para sair, contratações de indivíduos não-benfiquistas e de qualidade duvidosa e a arrogância de uns quantos atrasados mentais que acabam por ter de comer as suas palavras no fim da época. Em nota de rodapé, o Benfica faz questão de referenciar que o seu capitão não renovou contrato, acabando dispensado. É assim que se tratam os símbolos e referências no Benfica actual. No meio de tanta indefinição e de tanta asneirada feita, é normal que os adeptos demonstrem preocupação. O melhor (ou menos mau) seria ver a bola começar a rolar, mas nem assim se conseguiu afogar mágoas ou afugentar os fantasmas dos maus inícios de campeonato. Mas as coisas começam a compor-se: despacha-se um trambolho num negócio pouco claro, os jovens dão cartas na Colômbia e entramos na fase de grupos da Champions League. Poderiam as coisas começar a entrar nos eixos? Podiam. E iriam...

O Benfica arrancou para uma excelente fase do campeonato, conseguindo um empate importante e tratou de algumas colocações que pareciam de difícil resolução. O plantel parecia bastante completo, mas, inexplicavelmente, nem todos os atletas contavam para Jorge Jesus. As contratações de verão, mesmo as mais duvidosas, revelavam-se acertadas, e até mesmo a Champions League, onde o Benfica falhara na temporada anterior, corria de feição, com a qualificação a ser assegurada num dos mais míticos estádios da Europa. No entanto, não foi por estarmos em maré alta que se deixou de avisar quais eram as prioridades e quais os perigos que estavam à espreita. Não é por ganhar que tudo está bem, há sempre coisas que podem e devem ser melhoradas, e bem se avisou o que poderia aí vir. Ainda assim, numa fase complicada da temporada, o Benfica assegurou uma vitória importantíssima que cortou o momentum do Sporting.

Dezembro chegou e com ele voou o sonho de marcar presença no Jamor. E com o Natal chegam os rumores e problemas, provocados por infantilidades de jogadores e por uma má liderança de Jesus. Dentro de campo, o Benfica vai ganhando e cimentando a liderança. Fora de campo, questões importantes se levantam. E quando tudo parecia indicar um fecho de mercado tranquilo, eis que um turbilhão de reviravoltas acontece e prejudica, em muito, o Benfica. Amorim para Braga, Enzo para a Argentina, Djaló na Luz e mais um par de botas. Mas quando o Benfica vai à frente, não se pode perspectivar que vem aí uma tempestade, que se é logo acusado de ser mau benfiquista. Dito e feito, a paixão pelo risco falava mais alto. Faz-se uma análise racional, mas a irracionalidade persistiu na cabeça do treinador, levando-nos ao dia do Juízo Final. Nem Michelangelo pintaria tal quadro. Mas ao contrário do que sucede na obra de arte do artista renascentista, aparece o diabo. Atenções viradas para a Champions, a memória não persistia na cabeça de Jesus. Ainda assim, superada a loucura, atinge-se o Zenit, conseguindo um dos grandes objectivos da época. Munch não dava o grito e da Luz só se ouvia um silêncio ensurdecedor. Entretanto, Jesus parece querer esticar a paciência dos adeptos, mas os seus defeitos são postos a nu. Joga-se mais uma final, que o Benfica vence à tangente num jogo emocionante, mas...

Mas foi sol de pouca dura. Foi em Alvalade que a brincadeira terminou, dando o mote para o aparecimento das primeiras críticas públicas, seguidas da campanha da Travessa da Queimada, voltando ao descontentamento, desta vez anónimo, com lamirés daquilo que pode vir a ser o futuro. A Taça da Liga não é mais que um mero anestésico local: quando deixa de fazer efeito, a dor volta. Apela-se a que os benfiquistas abram os olhos, pede-se para ver quem mina o clube, mas nada parece resultar. Intramuros, a situação parece tumultuosa: o responsável por um tacho qualquer descose-se, o parasita faz um apelo à sportinguização, que ele tão bem conhece, e houve quem tentasse meter a foice em Fernando alheio. A direcção dá mostras da sua pequenez, enquanto alguns benfiquistas procuram um salvador, um homem íntegro e de espinha direita, que possa inverter o rumo da nossa História, que leva muitos ao desespero. E o Gustavo encontra um dador. Haja algo de positivo, porque todas as histórias deveriam ter um final feliz.

P.S. Gostamos de honrar os nossos compromissos, mas quando nos aparecem 3(!) A.A. Matos diferentes no mail a pedir, com justificações válidas, para anunciarmos o nome do dito... hmmm... hmmm...

Domingo, 20 de Maio de 2012

Do desespero


Pensei muito antes de finalmente escrever este post definitivo. Não sei se será o último, mas isso é o que menos importa. A minha hesitação não foi sobre este facto, mas sobre aquilo que ele confessa: o desespero.

Hesitei porque quem confessa o seu desespero é normalmente visto como um ser menor. Um ser que desespera é, por definição, um ser que cede à irracionalidade de pensar que algo não tem retorno.

Vem isto a propósito porque estou realmente desesperado. Não consigo olhar para o futuro e ver sinais de que o Benfica de que aprendi a gostar durante a minha vida vai voltar. Olho para o Benfica e vejo uma grande massa falida moralmente, falida desportivamente e falida financeiramente. Nunca imaginei pior cenário, e como me lembro dos anos 90!

Há dias folheava alguns jornais do Benfica da década de 90. Preferi não ver mais para trás, senão certamente usaria uma corda da guitarra para me enforcar logo no momento. E vi muito daquilo que me lembrava da minha infância. Perdíamos em vários campos, com o futebol e a credibilidade à cabeça. As pernas começaram a tremer aos jogadores na segunda metade da década de 90, começaram a vir carteiros para pontas de lança, enfim... tudo isso. No campo da credibilidade, falhávamos pagamentos, tínhamos contas congeladas, dívidas ao fisco. Mas... ah, ainda éramos o Benfica!

Qual é a família de origens humildes que em alguma altura da sua vida não passa por dificuldades? Aquele foi um desses momentos... problemas tremendos, cada vez maiores, mas no fim de contas... a família continuava lá, muito assustada com as paredes a ruírem à sua volta, mas ainda genuína. Os nossos pavilhões vibravam, o estádio recuperou muita gente no final da década de 90, as assembleias-gerais eram palcos de Benfiquismo efervescente (às vezes até em demasia, se é que é possível haver eferverscência excessiva no Benfiquismo). O clube estava em dificuldades, mas estava acompanhado.


A situação actual não é igual. Numa aburguesada artificialidade, o Benfica é hoje um clube que não falha os seus compromissos, mas que não ganha nem dá sinais de vir a ganhar. O Benfica enterrou a casa que ergueu com o esforço dos sócios em 1954, e ergueu uma nova casa com a ajuda dos bancos e da Somague. O Benfica já não tem mais sócios voluntariosos na defesa dos seus interesses, mas sim profissionais todos os dias da semana, pagos para gerirem um clube a que muitos nem estão emocionalmente ligados.

A grande diferença, é que eu em 2000 saía à rua, era confrontado com as notícias que afrontavam a nossa credibilidade, e respondia a isso com confiança: o Benfica lutou durante toda a vida, certamente iria ultrapassar mais uma batalha.

Hoje saio à rua, e sinceramente não consigo embarcar na onda de que somos os maiores, o clube glorioso, do maior número de sócios do mundo, etc. É toda uma basófia que, no mínimo, está desajustada dos tempos. Em primeiro lugar, acho que se dispensa sempre. O Benfica nunca precisou de dizer que era muito bom. Simplesmente ganhava. E com isso mostrava que era melhor. E dessa forma ganhou o respeito de todos ou de quase todos.

Hoje o Benfica é um clube menorizado pelas pequenas pessoas que o gerem. Estamos na fase do “Benfica Sempre”, em que acima de qualquer resultado ou atitude irreflectida, se bate no peito dizendo que aconteça o que acontecer seremos sempre do Benfica. Mas eu pergunto: isso alguma vez esteve em causa?

Não adianta dizermos aos sete ventos que aconteça o que acontecer, seremos sempre do Benfica. Quem sente o clube nunca conseguirá torcer por outro clube. Temos é de perceber uma coisa: se o Benfica não acorda rapidamente, os nossos filhos e os nossos netos já nem sequer cantarão a canção que realça a nossa faceta gloriosa. O Benfica faz-se de títulos e de valores!

Faz-me muita impressão como é que os Benfiquistas hoje confiam o clube, cegamente, a pessoas como as que estão no clube. Além do passado obscuro, que em qualquer outra fase da nossa história daria direito a um valente enxerto de porrada logo nas primeiras eleições em que o aventureiro ou pára-quedista se apresentasse, estamos perante pessoas que perdem como nunca outros perderam. Perderam ontem, perdem hoje e voltarão a perder amanhã. Perder, perder, perder.

Dizem-me que o Benfica não pode cair nas mãos do Vale e Azevedo. E eu pergunto-vos: não confiam em vós mesmos para filtrarem futuros aventureiros? Em que outro período da nossa história os adeptos do Benfica se toldaram pelo medo nas escolhas para o seu futuro? Eu respondo: nunca. Valerá a pena limitar o espírito democrático no clube e cair que nem cães raivosos em cima de quem tem ideias diferentes ou críticas a fazer?

Custa-me ver um fim de semana como este, no Basquetebol. Antes de mais assumo que nem ligo assim tanto às modalidades. Era um fanático pelo hóquei em patins, mas fora disso sinceramente só quero é que o Benfica ganhe... não gosto o suficiente de alguns dos outros desportos para conseguir ver os jogos de princípio ao fim. Mas não sofro menos por isso.

Não há ninguém no Benfica que fomente outro espírito no clube. A equipa, abandonada a si própria, nem sequer estagiou antes dos dois jogos deste fim de semana. Tudo bem que fica caro, mas não compensaria algum recato? Talvez fosse o suficiente para hoje termos celebrado o campeonato. Se não há dinheiro, os sócios juntam-se e pagam o estágio. Afinal de contas não é este o espírito do Benfica? O da entre-ajuda?

Isto leva-me a outro tema: eliminaram a entre-ajuda e a humildade dos valores do Benfica. Folheando os jornais do Benfica da década de 90, é possível encontrar menções a inúmeras recolhas de dinheiro com os mais diversos fins: ajudar as finanças do clube, comprar uma cadeira de rodas para um sócio em dificuldades, etc. Tabelas e tabelas de sócios que ajudaram o clube ou outros sócios. Sem vergonhas, antes com orgulho: as famílias são as primeiras a acudir aos seus!

Hoje em dia, nega-se este espírito, e encobre-se quando ele é necessário. Acabaram os leilões de camisolas para financiar a actividade do departamento das casas, acabaram os donativos para ajudar sócios em dificuldades. Agora só interessa dar 0,5% do IRS à Fundação do Benfica, ou então comprar pedras para a Praça dos Heróis, uma espécie de operação coração não assumida.

Eu não sou do Benfica pelas vitórias que presenciei na minha infância. Presenciei poucas, e continuo a presenciar muito poucas. Sou do Benfica antes de mais pelos valores que o clube tinha, e pelas vitórias com que o Benfica construiu o seu impressionante palmarés, suficiente para quase monopolizar o país em seu redor.

Hoje temos pavilhões novos, mais vazios e mais abúlicos do que nunca. Temos um estádio novo, que já viu mais festas do Porto do que o velhinho estádio em 50 anos de vida. Temos mais sócios do que nunca, mas há assembleias-gerais para aprovar documentos fundamentais como os estatutos com 150 pessoas.

O Benfica é, hoje em dia, um clube monstruoso que caminha solitário no meio da multidão.

A maioria dos Benfiquistas confiou cegamente o clube a alguém que entretanto se apoderou dele para beber da sua dimensão para alavancar negócios pessoais. Alguém que não aparece nos maus momentos. Que não acompanha as diversas equipas do Benfica nos momentos fundamentais. E que não tem pejo de aparecer a falar à Odivelas TV ou numa cerimónia para homenagear um empresário qualquer. Mas para o Benfica, nunca tem tempo. Ao Benfica reservou, a tempo inteiro, profissionais como Soares de Oliveira ou Paulo Gonçalves. O primeiro, sportinguista que nem sequer gosta de futebol, o segundo um advogado célebre no Porto, que veio para cá tomar conta do dossiê do apito dourado. Não acham que há algo aqui estranho?

O Benfica não tem de ser um sacrifício para ninguém. O Benfica é um chamamento superior que nos orgulha e engrandece. O Benfica é hoje grande demais para não ter a sua gestão de topo 100% dedicada ao clube. Acho incrível como se aceita hoje em dia que uma equipa de futebol saia de Vila do Conde sem um único elemento dos órgãos sociais presente. Não pode ser! Alguém que goste do clube está lá sempre, até quando em condições normais não poderia estar!

O meu desespero vem de tudo isto e de muito mais, porque todos estes assuntos se ramificam para a infinita espiral de minoramento do clube. Há muitas coisas hoje em dia que são levadas como normais, e que nunca podiam ser normais. Não é normal o presidente não aparecer, não é normal directores não serem do Benfica, não serem sócios do Benfica. Não é normal ganharmos tão pouco. Não é normal venerar-se a figura presidencial, eclipsando a única coisa que nos deve mover: o presidente! Não é normal ter-se uma televisão do clube a atacar sócios descontentes. Quantos descontentamentos houve na história do clube? Se o ambiente que hoje temos no clube, entre dirigentes e sócios, vigorasse em 2000, será que Vale e Azevedo não seria ainda o presidente?

Pelo amor de Deus, toquem-se. O Benfica não é nada disto. O Benfica não é burguês, o Benfica não é unipessoal, o Benfica não é ausência, o Benfica não é comodismo, o Benfica não são derrotas, o Benfica não é uma montra de poder, o Benfica não é uma alavanca para negócios, o Benfica não é seguidismo.

Vejo o clube demasiado paralisado e refém de uma liderança ditatorial, totalitária e que procura a unanimidade, ao mesmo tempo que não procura as vitórias, não faz nada por elas, envereda por choros de arbitragens que servem apenas para manter o poder e para desresponsabilizar quem devia ter trabalhado muito melhor para servir o clube (entre outras coisas, para forçar uma mudança de coisas nas estruturas do desporto).

Perdoa-me Benfica se nestes momentos difíceis capitular perante este unanimismo incompreensível que se vive no Benfica. Farei de tudo para que algum dia te libertes da pandilha que te mantém em cativeiro, e que sem dúvida um dia pagará por tudo o que te está a fazer. Só não estou certo se poderei fazer de tudo, durante muito mais tempo.

Mas acredita que um dia em que estejas liberto deste período, verdadeiramente o mais negro da tua história, cá estarei para te amparar e tentar, com o meu sangue, suor e lágrimas, que te reergas. Em vitórias e em valores. Não me importarei de dar o meu humilde contributo monetário se te faltar dinheiro em caixa. Será um orgulho e não uma vergonha. Não me importarei de perder noites em reuniões da assembleia-geral para se trabalhar no teu futuro. Será um orgulho e não uma chatice. Não me importarei de pagar as quotas, os cativos, o merchandising e o que mais houver para te garantir receitas. Será um orgulho e não uma despesa.

Não me importarei de te ver voltar a tempos menos profissionais mas mais genuínos nos suportes de comunicação, como o jornal. Às vezes é preferível um jornal mais difícil de ler, mas com mais substância e com mais Benfiquismo. Assim como só haverão vantagens em voltar a ver-te comandado por pessoas honestas, trabalhadoras e que existem para servir o Benfica, e não o contrário.

Fundalmentalmente, quero que voltes a ter pessoas 100% à Benfica a cuidarem de ti, quero que voltes a ganhar como antigamente, quero que voltes a reunir a família à tua volta, quero que regresse a entre-ajuda, a humildade, a abnegação, a superação, a ambição, a classe.

Libertem o Benfica!

Redefinindo "ridículo"

Ridículo - adj. que provoca riso; irrisório; de pouco valor; insignificante; s.m. maneira de ser que provoca o riso; zombaria; gracejo; meter a ~ fazer troça de; prestar-se ao ~ apresentar-se ou proceder de forma a provocar o riso ou troça (Do lat. ridiculu-, «coisa risível»).

Ridículo - s.m. atitude de um membro dos órgãos sociais do clube que, feito palhaço, enquanto o Benfica perde o jogo 4 da final do campeonato nacional de basquetebol para o FC Porto, aplaude e festeja euforicamente a derrota do Sporting na final da Taça de Portugal.

A caixa de comentários é vossa. Digam-me quem foi a palhacinho que se prestou ao ridículo enquanto o Benfica era derrotado pelo Porto e, como bónus, ficam a saber o nome do treinador do Benfica para 2012/2013. Só há chocolatinho para o mais rápido.

Que confusão...

1. Quando Vieira trouxe Veiga para o Benfica, altura em que eram os melhores amigos no planeta Terra, estava tudo bem e ninguém se importava com o facto do ex-empresário ter ganho o Dragão de Ouro para a casa do Porto no Luxemburgo.

2. Coloca-se em causa o benfiquismo do senhor Fernando Tavares. Já o benfiquismo de um senhor que foi sócio do FC Porto durante 24 anos não se coloca em causa.

3. "Onde estiveram eles todos durante os últimos três anos?" - perguntam os apoiantes de Vieira. Não sei... se calhar estavam a viajar por Angola, pelo Brasil, Madrid, Londres ou Munique, a ver a final da Champions.

4. Pode haver um milagre financeiro quando o passivo atinge qualquer coisa como 400 milhões de euros, quadriplicando em 10 anos?

5. Um certo blogger fica chateadinho porque o acusam de ser uma voz de Vieira, por estar a trabalhar, supostamente, para João Juan Gabriel. Verdade ou não, quem acusa é que tem de provar, mas não ficava nada mal, até para dissipar quaisquer dúvidas, demonstrar que as acusações são falsas. Até saía por cima. Não é, com certeza, a fazer a mesma figurinha que os acusadores em relação a um grupo do Facebook ou a afirmar que não percebe nada de finanças para a seguir dizer que confia cegamente no primeiro texto pró-Vieira que lhe aparece à frente, que vai fazer boa figura.

6. Um clube que quer apostar na credibilização do futebol português, mas depois apoia gente vinda do clube do Veiga (?) e do Vieira (?). Hmmm... e o silêncio a que assistimos no decorrer do momento mais crucial da época, alguém quer explicar?

7. É inacreditável como com o passar dos anos e com a rotação de lugares que há no clube, ainda se saiba tanta coisa da vida interna do clube. Futuras contratações, opções técnicas de Jesus, treinador para 2012/2013, valor do contrato a assinar com a Olivedesportos, enfim, tudo ao alcance de um gajo, com a maior das facilidades.

Sábado, 19 de Maio de 2012

Por um Benfica campeão...

O Benfica precisa do teu apoio. Neste fim-de-semana, o Benfica defronta o Porto na Luz por duas vezes, sábado e domingo, a contar para a final do campeonato nacional de Basquetebol. São dois jogos de extrema importância que podem fazer com que o nosso clube ganhe o terceiro campeonato em quatro anos. Frente a um Porto cada vez mais forte e que tem a vantagem de jogar mais jogos em casa nesta final à melhor de cinco, o Benfica precisa do nosso apoio. Vais faltar à grande decisão do título de campeão nacional de Basquetebol?